Schistosomal epididimite

relato de CASO

Schistosomal epididimite

Leonardo S. Alves; Bernado P. S. Assis; Márcia M. B. Rezende

Procriar Instituto de Urologia, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Correspondência

RESUMO

Epididimite é frequente o processo inflamatório. Está relacionado a doenças sexualmente transmissíveis, infecções do trato urinário por E. coli ou trauma escrotal. Descrevemos o caso de um homem caucasiano de 32 anos, que apresentou dor escrotal por 3 meses, com dificuldade de manejo com medicação. Testículo era normal; no entanto, o epidídimo esquerdo era extriamente doloroso e endurecido. Após o uso malsucedido de medicação analgésica e antiinflamatória, foi realizada epididimectomia esquerda, com resolução da dor.
o exame patológico mostrou a presença de processo inflamatório crônico associado a ovos do parasita Schistosoma mansoni no epidídimo ressecado. O paciente evoluiu sem dor no período pós-operatório e foi medicado com uma dose única de oxamniquina após confirmação etiológica.

palavras-chave: epidídimo; epididimite; Schistosoma mansoni

introdução

a epididimite é um processo inflamatório que afeta o epidídimo. Ocorre ao redor do testículo e pode aparecer em qualquer idade. As apresentações clínicas da epididimite estão mais frequentemente relacionadas a Doenças Sexualmente Transmissíveis, trauma e contaminação por instrumentos cirúrgicos. O presente trabalho relata o caso de um paciente com dor epididimária crônica e endurecimento devido à infestação pelo parasita Schistosoma mansoni.

relato de caso

paciente W. A. O., 32 anos, nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, desenvolveu um doloroso processo escrotal, com difícil manejo, 3 meses antes. Ele negou trauma, procedimentos cirúrgicos recentes (vasectomia 2 anos antes) ou suspeita de atividade sexual.

no exame físico, observou-se epidídimo esquerdo endurecido e doloroso. Testículo Ipsilateral e cordão espermático eram normais. Ultra-som escrotal dionstrou apenas um aumento na ecogenicidade, característica do processo inflamatório crônico. Após o uso malsucedido de analgésicos e antiinflamatórios, optou-se pela realização de epididimectomia unilateral, com o consentimento do paciente. O procedimento não teve intercorrências e, durante a cirurgia, observou-se endurecimento de todo o epidídimo, sem involvimento testicular. A dor do paciente resolveu logo após a cirurgia. Estudo histopatológico detectou processo inflamatório crônico granulomatoso devido à presença de ovos de Schistosoma mansoni (Figura-1). Após o diagnóstico, foi confirmado o contato do paciente com uma lagoa infestada pelo parasita. O paciente recebeu uma dose única do medicamento antiparasitário oxamniquina.

a epididimite é um processo inflamatório comum que envolve frequentemente o testículo ipsilateral também, uma condição conhecida como orquiepididimite (1). A apresentação aguda constitui a causa mais comum de escroto agudo em adultos. A epididimite isolada pode ocorrer em todas as idades e está relacionada à infecção bacteriana (E. coli, n. gonorréia, h. influenza, Chlamydia trachomatis, Thichomonas vaginalis). Outras causas etiológicas são contaminação por instrumentos endoscópicos, torção testicular, trauma, vasectomia, orquiopexia, etc.

agentes etiológicos como M. tuberculosis, Brucella, fungos (coccidiodomicose e blastomicose) e parasitas como Schistosoma mansoni, são menos frequentemente diagnosticados devido a dificuldades técnicas (1,2). Nestes casos, a confirmação é alcançada apenas por estudo histopatológico. Na maioria das vezes, a contaminação ocorre pela via canalicular, através dos vasos deferentes, onde os germes do trato urogenital ascendem ao epidídimo (1).

o diagnóstico de epididimite pode ser feito a partir da anamnese e do exame físico. Através da correlação com a faixa etária do paciente, é possível deduzir o agente etiológico. Infecções virais e bacterianas são comuns até o início sexual. A partir desse período até os 40 anos, o gonococo e a clamídia são os principais patógenos responsáveis, enquanto após essa idade, A E. coli é o agente mais encontrado. O exame físico pode determinar se o processo é agudo (enlargient e dor) ou crônico (endurecimento). Os métodos de imagem, bem como os testes de sangue, urina e fezes, podem ajudar a determinar a etiologia dos sintomas.

esquistossomose mansoni é uma parasitose endíaca no Brasil causada por um triatodo, o Esquistossoma mansoni. Geralmente parasita os systi venosos que apresentam tropismo ao systi portal hepático. Neste systi, a veia mesentérica inferior, fígado e baço são os locais mais freqüentemente afetados (3). A contaminação por Schistosoma mansoni ocorre por via hiatogênica de acordo com o ciclo de vida do parasita (3). Quando uma pessoa entra em contato com a água infestada por esquistossomos, os parasitas na forma de cercárias penetram na pele e atingem a circulação sanguínea ou linfática. Neste momento, eles podem ser destruídos pelo systi imunológico ou atingir a circulação venosa periférica. O casal parasita vai em direção ao plexo hiorróideo no momento da oviposição, podendo ir também ao plexo siinal, o que explicaria o presente caso (3). Quando afetado pelo esquistossoma, o epidídimo aumenta de tamanho devido ao processo inflamatório, semelhante a outros órgãos afetados. Um padrão inflamatório granulomatoso com reação de células gigantes do tipo Langhans, apresentando um grande número de células eosinofílicas em torno de estruturas spiculadas (ovos) é característico nesse processo (Figura 1).

a dificuldade para o diagnóstico etiológico neste caso foi porque o único sinal de doença foi um epidídimo endurecido e dor. O resultado patológico, até então inesperado, chama a atenção para a falha clínica na anamnese, que não conseguiu investigar o contato do paciente com “águas paradas”, uma vez que a esquistossomose mansoni é uma doença endíaca no Brasil.

Prof. Lúcia Porto Fonseca Castro performed
the pathological analysis.

1. A maioria das pessoas tem problemas com a saúde e a saúde, mas a maioria das pessoas tem problemas com a saúde e a saúde. 1999; pp. 139-46.

2. Kaufman, JJ: current Urologic Therapy. Philadelphia, ICIB Saunders Co. 1980; pp. 357-60.

3. Pessoa SB: Parasitologia Médica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan. 1958; p. 471-558.

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